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Volume 50, Issue 0, 2021

Poetry and Poetics

Mester's issue 50 welcomed articles, reviews and interviews on the general topic of Poetry and Poetics, with particular emphasis on Lusophone and Hispanic literatures and linguistics, as well as Iberian, Latin-American, Chicanx and Latinx studies. We have also included a special section devoted to Luso/Afro/Brazilian Poetry.

CONTENTS

Table of content

Editorial board

Contributing guest editors

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INTRODUCTION

Introduction

Introduction to Mester's issue 50

PUBLIC CURATIONS AND PERFORMATIVE READINGS

Poesia (de) Agora: arquivamento como processo criativo a partir de uma exposição de poesia contemporânea

O presente artigo tem como objeto a exposição Poesia Agora, mostra de poesia contemporânea brasileira, que teve sua primeira edição em São Paulo, no Museu da Língua Portuguesa, em 2015, e, posteriormente, no Rio de Janeiro e em Salvador, ambas em 2017. Dois pontos serão analisados. O primeiro é uma leitura expográfica da mostra que reuniu diversas faces da poesia brasileira em eventos, slam, poesia visual e fotografias. No entanto, o destaque da análise é a sala Scriptorium, na qual havia livros em branco que convidavam o público ao gesto da escrita, convertendo o visitante em autor. O segundo momento do artigo trata da transição desses livros já escritos do espaço expositivo do Poesia Agora para o espaço acadêmico, tornando-se um arquivo sob o abrigo do Departamento de Letras da PUC-Rio. Essa mudança reconfigurou o tratamento técnico-arquivístico para um tratamento criativo que se localiza entre o inventário e a invenção. O artigo sobrepõe três áreas conceituais,  a arquivologia, a museologia e a literatura contemporânea, para entender como Poesia Agora se confirma igualmente como uma Poesia Ágora, cuja ideia de reunião, como um espaço político, está presente tanto na concepção da exposição, quanto na produção literária contemporânea, e também no método de estudo e catalogação da coleção.

"Aluguer a turistas": la poesía como resistencia ante la violencia turística en el espacio portugués

Tras más de cuatro años inmerso en una profunda crisis económica y social y después de que el Fondo Monetario Internacional tuviese que rescatar al país en el año 2011, Portugal encontró en el turismo una forma de reestablecer su economía y fortalecer el país.Pero ante la idea difundida por los medios de comunicación y por los diferentes órganos de gobierno de que la recepción masiva de turistas renovó y revalorizó los centros históricos de Portugal, gran parte de la ciudadanía portuguesa siente algunas de estas prácticas turísticas como una forma de irrumpir el desarrollo de su vida cotidiana. El texto que se presenta tiene como objetivo explorar el papel de lo poético como una forma de resistencia ante la violencia con la que el turismo actúa sobre el espacio cotidiano portugués, partiendo de manifestaciones concretas de poesía no-lírica.

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Clássico agora: Diálogos possíveis entre Os Lusíadas e o álbum Eles não sabem a minha língua, de Vinícius Terra

O artigo traça comparações possíveis entre Os Lusíadas e o álbum de rap Eles não sabem a minha língua, de Vinícius Terra. Lançado em 2019, o álbum apresenta um interessante pensamento crítico sobre a lusofonia a partir de reflexões que ocorrem com o uso de referências diretas e indiretas à épica de Luís de Camões. O artigo se dedica a esses diálogos possíveis e tenta identificar como, em alguma medida, a obra de Vinícius Terra atualiza críticas sociais que já eram presentes na epopeia camoniana.

MEMORY, HISTORY AND VIOLENCE

"Mistress of her own silences": The transatlantic poetry of María Acuña

In 2006, the Congress of Deputies in Spain presented a contentious bill: the Law of Historical Memory – it would be passed a year later. A long time in coming, the law sought to redress the wrongs experienced by victims of both sides of the Spanish Civil War (1936-1939), offering rights to the victims of the war and to victims of the close to forty-year dictatorship of General Franco. Likewise, the law condemned the Franco regime. Since then, exhumation of the repressed past, in the form of unearthing of mass graves, the granting of citizenship to those who fought on the losing side, or scholarship in fields ranging from political science to history, literature to sociology, has witnessed a burgeoning. The attempt to restore “forgotten” or “hidden” narratives that progressively become part of academic inquiry ought to include not just the notables but also the unsung voices that played a quiet yet equally relevant role in that past. Within this context of historical memory recovery, I propose a study of the unpublished poetry of María Acuña. Throughout her lifetime, Acuña would experience not only Franco’s dictatorship, but the bloodless political transition to democracy in the peninsula, as well as two violent insurgencies in Central America, where she lived for a number of years (and met an early death). First, in El Salvador during the Civil War (1979-1992), then in Nicaragua as the Sandinista Revolution unfolded from the late 1970s into the 1980s. The starkly different phases of María Acuña’s life are reflected in a poetry of great precision, passion, and, above all, a musical fluidity that merges Spanish and castúo (her regional dialect), Europe and the Americas.

Medo, violência e regime estético em “Sítio” e “Em Sarajevo”, de Cláudia Roquette-Pinto

Partindo das reflexões de Giorgio Agamben (2007), este artigo discute a configuração do medo e da violência como formas de manifestação de um sistema social suspenso e debilitado, por meio da análise dos poemas “Sítio” e “Em Sarajevo”, publicados em Margem de manobra (2005), de Cláudia Roquette-Pinto. Articulam-se também reflexões sobre o regime estético das artes, segundo o proposto por Jaques Rancière (2005), como dispositivo para visibilizar o medo e a violência como singularidade estética em um sistema de evidências sensíveis. A análise revela um discurso poético indeterminado, lacunar  e dissoluto sobre a violência que, no entanto, configura o grotesco no imaginário subjetivo de uma forma mais potente.

Barras oblicuas en la poesía de Juan Gelman y Mario Benedetti: herramientas para combatir la violencia / preservar la memoria

Los poetas Mario Benedetti (Uruguay) y Juan Gelman (Argentina) se valen en su producción de barras oblicuas que cumplen una función expresiva innegable. Al fracturar el enunciado separando sintagmas, constituyen el reflejo de la ruptura vivida por los dos escritores en el exilio y el choque que representó la dictadura en sus países. En otros casos, las barras sirven para enumerar términos, o juegan un mero rol gramatical al establecer la distinción entre discurso directo e indirecto. Igualmente, la función rítmica de las barras es relevante, invitando al lector a efectuar una declamación en voz alta. Tanto en poemas amorosos como en poemas políticos, las barras, con su forma inclinada peculiar, son a veces lágrimas que cortan como sollozos el enunciado, o instauran un diálogo entre los dos hemistiquios del verso e incluso marcan una fuerte oposición entre los segmentos. Asimismo, estos signos tipográficos contribuyen a transmitir el mensaje de los dos poetas, a menudo comprometido e impregnado de resistencia en contra de la violencia.

AFRO/LUSO/BRAZILIAN POETRY

Poesia negra brasileira de autoria feminina: assentamentos de resistência

Neste trabalho, sublinhamos traços da/na construção poética de autoria negra feminina contemporânea. Com este intuito, reunimos uma seleta de poesias de Conceição Evaristo, Esmeralda Ribeiro, Lubi Prates, Lívia Natália e Miriam Alves. Ao serem cotejadas, argumentamos que, na tessitura de discursos, as poetas negras brasileiras reverenciam a ancestralidade negro-africana e assentam saberes silenciados historicamente. Pretendemos, ainda, a partir de contornos bem específicos, propor reflexões sobre como as autoras reescrevem as histórias e os legados de luta e resistência de mulheres africanas e negras. Diante de tal abordagem, assumindo uma miríade ampla de influências teóricas para analisar os discursos poéticos, buscamos evidenciar como escritoras negras diaspóricas oferecem contribuições epistêmicas que interferem na composição da historiografia, crítica e teoria literária latino-americana.

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“Para cantador valente/ tenho um chicote de aço”: homens em confronto na peleja brasileira

Propomos neste artigo uma leitura de pelejas de cordel nas quais se opõem homens: cantador branco contra cantador branco; cantador branco contra cantador negro; e cantador negro contra cantador negro. Na impossibilidade de assumirmos o critério temático, uma vez que quase sempre existem inúmeros temas e assuntos dentro da mesma peleja, as especificidades de género, raça e classe social dos protagonistas permitem-nos chegar a um campo de estudo. Para identificarmos e compreendermos o teor e a estilização dos conflitos pessoais e sociais que se expressam nestes confrontos poéticos, comentaremos alguns dos folhetos que selecionámos. Privilegiamos obras de épocas e configurações estilísticas diferentes, porque a peleja é o reflexo da formação e da evolução civilizacional do Brasil; reflexo mas também condição dessa formação e dessa evolução, lugar de discussão de problemas morais, sociais e políticos de todo o tipo, espaço de perpetuação e transformação de ideias e ideais sobre o ser humano e a nação brasileira (os agentes do poder familiar e político, o lugar da cor da pele e do género na organização e distribuição desse poder).

"Os poemas ficam nonsense": Canonical Gender in Angélica Freitas' Um útero é do tamanho de um punho

Um útero é do tamanho de un punho (2012) is a worthy successor of Freitas’ inaugural book of poems, Rilke Shake. It maintains the fighting wit that characterized Rilke Shake, but situates Freitas’ satirical critique within the female body. As the title indicates, Freitas writes from a position of unapologetic womanhood, aligning the uterus with the fist and thus reconfiguring the symbol of woman’s reproductive potential with the promise of belligerent transformation. The poems in the collection satirize notions of gender essentialism, heteronormativity, and gender performance by deploying a quotidian female subjectivity that engages in a categorical resistance to externally imposed expectations. The link between the two projects is visible throughout Um útero’s many poems, but it is accomplished most immediately in its epigraph. The pair of quotes selected—a line from a well-known German opera song titled “Seeräuber Jenny,” and the satirical phrase, i piri qui—condense and contain Freitas’ ideological stance. This paper will examine how the tension generated by the two quotes, each independently ensnared in a rich history of mockery, results in a sophisticated critique that utilizes humor and the Western literary canon to reveal the canonical construction of gender.

O fim do fundo: o sul da América do Sul por Angélica Freitas

Ao longo de sua trajetória literária, Angélica Freitas acumulou prêmios, leitores jovens e, recentemente, diversos trabalhos acadêmicos sobre sua poesia. À primeira vista, isto não seria surpreendentemente, uma vez que novas autoras surgem a todo instante, mas, ao analisarmos mais de perto, notamos como a obra de Freitas é permeada por regionalidades que não contribuem para com a universalização de sua obra. Portanto, aqui analiso justamente quais são estas regionalidades, suas referências e o diálogo de Freitas com Vitor Ramil, para explicarmos o que é nascer no sul da América do Sul. Como a própria autora implica, nascer quase no fim do mundo traz consigo diversos pontos, mas, ainda assim, a poesia de Angélica Freitas é capaz de ser um sucesso crítico e de vendas.

PRACTICUM

Um país para a língua: a partir do projeto txon-poesia

Neste artigo, de âmbito exploratório, iremos, sobretudo com olhar de psicólogo clínico inserido numa comunidade, debruçar-nos sobre as experiências, os princípios e as ideias que estão na base da estruturação do projeto txon-poesia e que perguntas se colocam, a partir dos resultados obtidos ao longo de quatro anos de projeto junto da comunidade mindelense (Cabo Verde), através de observação empírica. Que país para a língua, quando a língua é uma flor que se abre na boca de cada um?

REVIEWS

Dossiê poética das margens no espaço literário e cultural franco-brasileiro

Resenha do Dossiê Poética das margens no espaço literário e cultural franco-brasileiro, publicado pela Revue Silène: Centre de recherches en littérature et poétique comparées de Paris Ouest Nanterre-La Défense. Coordenação de Eliane Robert Moraes e Camille Dumoulié.

Encrucijadas gráfico-narrativas: Novela gráfica y álbum ilustrado

Reseña de: José Manuel Trabado Cabado, editor. Encrucijadas gráfico-narrativas: Novela gráfica y álbum ilustrado. Ediciones Trea, 2020.

Poesía descalza de María Acuña

La obra de María Acuña, poeta extremeña que murió inédita, sale a la luz gracias a esta edición de Isabel Balseiro, en la que repasa la trayectoria de esta arrolladora escritora que se vio influida por los principales movimientos y ambientes del siglo XX, pero que, al igual que muchas otras mujeres, quedó olvidada en los estudios literarios. Este poemario supone una invitación a la lectura de la obra de Acuña, a la vez que una reivindicación del hueco que como escritora merece.