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A Grande Contradição da América do Sul Lusófona: De quem são as verdades vividas que não estamos a contar? Uma análise comparativa de Cidade de Deus (2002), de Meirelles, e Afro-Paradise (2016), de Smith
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https://doi.org/10.5070/M3.41990Abstract
Após a abolição da escravatura em 1888, os líderes e intelectuais brasileiros buscaram integrar a população afro-brasileira à sociedade. No entanto, isso geralmente ocorria sob o pretexto de políticas de “branqueamento” que priorizavam a imigração europeia e a assimilação cultural. O objetivo era estabelecer uma identidade nacional que minimizasse as distinções raciais, ainda que de forma a marginalizar as contribuições culturais afro-brasileiras. Em meados do século XX, o Brasil promoveu a ideia de ser uma “democracia racial”, onde a harmonia racial supostamente existia sem segregação ou racismo institucionalizado. Essa narrativa buscava unificar o país sob uma herança cultural compartilhada, celebrando a mistura de influências indígenas, africanas e europeias. Infelizmente, essa realidade nunca se concretizou de fato, pois a discriminação racial ainda é muito predominante nas experiências vividas pelas comunidades afro-brasileiras.